Fotografia de fogo-de-artifício

Para a grande maioria dos fotógrafos amadores, fotografar o fogo-de-artifício é um dos desafios mais aliciantes e um dos primeiros da lista a serem tentados. Com a informação abundante existente actualmente, grande parte dos “erros de principiante” poderão ser evitados e, quando aparecem, rapidamente superados.

As novas funcionalidades disponíveis nas máquinas mais recentes podem ser também atalhos para bons resultados. Por exemplo, a Pentax (desde 2013 com a K-3) oferece o Modo de Composição em Fotografias Sobrepostas e Fotografias com Intervalo em 3 níveis:

• Média (imagem composta com a exposição média)
• Aditivo (imagem composta com a adição cumulativa da exposição)
• Claro (imagem composta que combina apenas zonas claras)

Para o fogo-de-artifício a combinação mais interessante será: Fotografias Sobrepostas / Modo de Composição / Aditivo.

Mas para quem vem do filme, o percurso era bem diferente e só com o famoso método de tentativa-erro se faziam progressos…lentos! E quanto a erros de aprendizagem, passei por todos eles. 😉

Desde logo, escolher bem a localização e o enquadramento. Isto significa algum planeamento antecipado de forma a evitar obstáculos e surpresas de última hora.

A máquina terá de estar imóvel, colocada num tripé (adequado ao peso da máquina e lente) ou outro suporte.

Para evitar qualquer tipo de movimento durante a exposição, o acionamento do obturador deverá ser feito recorrendo ao disparador automático (em M) ou ao disparador por cabo (em M e B).

O modo de exposição será M (manual) ou B (bulb) que diferem entre si apenas na definição do tempo de exposição, uma vez que a abertura é regulada manualmente:

• em M define-se o tempo de exposição pretendido que, uma vez iniciado, decorrerá até ao fim
• em B o tempo de exposição é definido por nós enquanto o botão do disparador por cabo estiver premido

A opção de espelho levantado deverá ser activada de forma a reduzir os riscos de a fotografia ficar tremida.

Para a exposição não há uma regra infalível para a definir.

A velocidade do obturador deverá andar entre os 8s e os 15s e a abertura do diafragma da lente, a definir manualmente, deverá andar entre f/8 – f/11 para os formatos APS-C e 24×36 e f/11 – f/16 para o médio formato. Mas muitas outras combinações poderão ser usadas.

O ISO deverá ser o mais baixo disponível na máquina.

Quanto à distância focal a utilizar, também não há recomendações. Tudo depende do enquadramento pretendido e da distância a que se está do local de lançamento do fogo-de-artifício. Já utilizei de tudo, desde grande angular extrema a telefoto.

As fotografias deverão ser gravadas em PEF/DNG de forma a permitir uma maior amplitude de ajustes em pós-produção.

Convém desligar a Redução de Ruído de forma a evitar o “black frame” que adiciona tempo igual ao da exposição ao processamento de imagem, tornando todo o processo muito longo.

Como antes do fogo-de-artifício iniciar não dispomos de nenhuma referência quanto à altura a que as deflagrações irão chegar, convém que, após a primeira exposição efectuada, se verifique se o enquadramento está correcto e se ajuste se necessário.

E depois é ir disparando, disparando para, no fim, ver o bonito serviço que fizemos! 😉

Um último conselho: não desanimem! A fotografia de fogo-de-artifício pode, por vezes, parecer ingrata mas é uma disciplina que nos reserva sempre deslumbramento à medida que a técnica de cada um vai evoluindo.

Bons disparos!

Porto, S. João, 2005
Pentax 6×7 │ 67 45mm f/4.0 │ M │15 s │f/11.0 │ ISO 100 │ Formato 24x65mm AGFA Chrome RSX II 100
Porto, 15/10/2010
Pentax K10D │ DA 12-24mm f/4.0 @ 21mm │ M │3.6s │f/16.0 │ ISO 100
Afurada, S. Pedro, 2013
Pentax K-5 │ DA 14mm f/2.8 │ M │7,7s │f/11.0 │ ISO 100
Porto, S. João, 2015
Pentax 645D │ 645 A 200mm f/4.0 │ M │6.83s │f/16.0 │ ISO 100
Porto, S. João, 2016
Pentax 645D │ 645 A* 300mm f/4.0 │ M │15s │f/16.0 │ ISO 100
Porto, S. João, 2017
Pentax 645D │ 645 A 35mm f/3.5 │ M │15s │f/13.0 │ ISO 100
Afurada, S. Pedro, 2017
Pentax K-5 │ DA 15mm f/4.0 Limited │ M │10s │f/11.0 │ ISO 100

Fotografia, para mim, é e só pode ser, puro prazer. Por isso sou apenas um amador, esclarecido, desde 1984.
Fui freelancer desportivo no jornal diário “O Comércio do Porto” em meados dos anos 80.
Mais tarde, a partir dos fins dos anos 90, membro do AOHC (Asahi Optical Historical Club), com diversos artigos publicados na revista trimestral “Spotmatic”.
Fotógrafo de casamentos no início dos anos 2000, de início ainda com filme, mais tarde com digital.
Entretanto, e durante 17 anos, fui co-organizador da “Feira de Material Fotográfico” na cidade do Porto, onde divulgava/promovia a marca Pentax expondo máquinas da minha colecção.
Participei numa mostra fotográfica colectiva em Cervia (Ravena), Itália, no âmbito do 5º Pentax Day organizado pelo AOHC. E participei em duas exposições colectivas no Porto.
Fiz fotografia industrial e de produto para edifícios, exposições, catálogos e sites.
Sou coleccionador de material fotográfico clássico “Asahiflex”, “Asahi Pentax” e “Pentax”. Utilizador de todos os formatos de câmaras fotográficas Pentax de filme (110, APS, 35mm, 645, 6×7) e digital (Optio, WG, Q, DSLR e 645).
E o meu tipo de fotografia de eleição é a paisagem (médio formato, filme ou digital)… e ser o fotógrafo oficial da minha família!

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